ENCONTRO 2

            Após a leitura e reflexão das questões constantes no documento de Avaliação Desafios e Esperanças, a “limpeza da casa”, é hora de começarmos a ajeitá-la, organizá-la e a deixarmos mais com a nossa cara, com a cara de cada fraternidade. É o momento de relembrarmos aquela pergunta “Que fraternidade de OFS queremos?”. Para tanto, vamos começar a estudar uma série de artigos de autoria de nosso Assistente Espiritual Nacional, Frei Almir Guimarães, OFM, que versam sobre temas que nos desacomodam, nos instigam e nos fazem pensar sobre o verdadeiro sentido da pertença franciscana secular. O artigo que estudaremos neste encontro é “Francisco encontra-se com os irmãos”. Ao final, como já aconteceu ano passado, temos questões para serem discutidas em grupo e sugestões de bibliografia para aprofundamento do tema posteriormente em casa, cada irmão(ã) tomando nas mãos a sua própria formação.

 

Francisco encontra-se com os irmãos

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

Ele se chama Frei Francisco, Irmão Francisco. Todos os que se encantam com este filho da Úmbria ficam fascinados com a fraternidade vivida por ele. Francisco é irmão. No processo de discernimento de sua vocação ele compreendeu que o Se­nhor queria que ele e os seus vivessem o mistério da fraternidade.

1. Não estava nos planos de Francisco fundar uma famí­lia religiosa. O Se­nhor, no entanto, foi fazendo com que chegassem ir­mãos e foi mos­trando que era im­portante acolhê-­los e inserí-Ios na trama de sua vida. As Fontes Francis­canas dizem que a chegada dos ir­mãos é motivada pelo testemunho de vida e pelo bom exemplo de Francisco. O pri­meiro a chegar foi Bernardo de Quintavalle. Este ficou encantado com a maneira de Francisco viver, com a constância com que restaura­va as igrejas e cuidava dos leprosos. Bernardo passaria a seguir a vida de penitência. Francisco fundaria uma fraternidade de gente em estado de conversão.

2. Os que chegavam eram levados a ou­vir o Evangelho. Depois da leitura do texto na igrejinha da Porciúncula, o Evangelho passou a ser o centro da vida do Santo. Francisco, Bernardo e Pedro vão à Igreja de São Nicolau. O Pobrezinho abre três vezes o evan­gelho e encontra textos que falam do seguimento de Cristo. Quando ter­minou a consulta, exclamou que ele e os que chegavam deveriam viver conforme a forma do Santo Evan­gelho, como irmãos.

3. Quando Francisco se dá conta de que o Se­nhor estava lhe dando irmãos disse: “Vejo, ir­mãos, que o Senhor quer misericordiosa­mente aumentar nossa congregação. Indo, por­tanto, à nossa Mãe, a santa Igreja romana, notifiquemos ao Sumo Pontífice o que o Se­nhor começou a fazer em nós, para que pros­sigamos o que começa­mos em conformidade com a vontade e precei­to dele” (Três Compa­nheiros, 46, 1-2). Deus lhe dá irmãos.

4. No seu Testamen­to, bem perto da hora de morrer, ele haveria de lembrar:E depois que o Senhor me deu irmãos, nin­guém me mostrou o que eu devia fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segun­do a forma do Santo Evangelho. E eu o fiz escrever com poucas pala­vras e de modo simples, e o Senhor Papa mo confirmou” (n. 14).

5. Os irmãos chegam como são, com suas potencialidades e seus defeitos, com sua vontade de acertar e seus momentos de fragilidade. Haveriam de viver juntos a aventura do Evan­gelho de lugar em lugar, no claustro do mundo, dois a dois, alegres e feli­zes de serem irmãos.

6. Os irmãos seriam irmãos dos bandi­dos e dos assaltantes, dos leprosos e dos mais necessitados. Não escolhe­riam aqueles a quem haveriam de servir. Seriam irmãos do vento, do fogo, da luz, das estrelas e água fresca e pura, dos vermes, da cotovia e da morte.

7. Numa Fraternidade franciscana os ir­mãos têm a simplicidade de expri­mir necessidades e carências, dese­jos e preocupações. Buscam longe e distante aquilo que pode ser útil ao irmão, mormente para o irmão do­ente. Assim como uma mãe cuida de seus filhos, com mais amor, dirá Francisco, os irmãos deverão cuidar dos seus irmãos e nutri-los com seu serviço e sua dedicação. Quando um irmão caía doente não podia conti­nuar a vida itinerante. Um dos irmãos deveria ficar com ele numa hospe­daria e dele cuidar. Podiam mesmo pedir recursos financeiros aos ben­feitores para alívio do doente. Fran­cisco é delicadamente irmão.

8. A Fraternidade de Francisco não tem hierarquias e postos. Todos se esti­mam, se amam. Ninguém chama nin­guém de superior, mas são ministros e servos que lavam os pés uns dos outros.

9. Francisco queria a unidade entre os irmãos: “Uma das preocupações foi sempre manter firme, entre os fi­lhos, o laço da unidade, para que tendo entrado na Ordem, sob o impulso de um só e mesmo Pai, to­dos vivessem em paz no seio de uma só e mesma mãe. Ele queria que reinasse a união entre grandes e pequenos, que sábios e simples comungassem a mesma afeição fra­terna, para que a força do amor aproximasse os que a distância se­parava” (2Celano 191).

10. De novo, Celano: “Quanto amor na vida em Fraternidade! Quando vá­rios irmãos se encontravam reuni­dos, ou quando por acaso se encon­travam num caminho, que explosão de amor espiritual, o único amor capaz de fundar uma autêntica fraternidade. Então eles se abraça­vam, conversavam e riam juntos, expansivos, satisfeitos, atenciosos, doces e calmos, unânimes no seu ideal, prontos e infatigáveis para se prestarem serviços” (1 Celano, 38).

11. Nossas Fraternidades Franciscanas Seculares são espaços de manifesta­ção do amor evangélico e francis­cano. Reunimo-nos, muitas vezes, es­cutamos as batidas do coração dos irmãos, cuidamos da formação dos que chegam, emprestamos o que temos, damos aos que não têm, visi­tamos os doentes e vamos, dois a dois, pelo mundo querendo bem a todos, a todos saudando com paz e bem e batalhando pelo surgimento de gru­pos fraternos que possam espargir fraternidade.

Para a reflexão em grupo:

1. O que mais chama sua atenção neste tema de estudo?

2. O que significa, de maneira bem prática, a expressão “o Senhor me deu irmãos”? Como acolhemos esses irmãos que che­gam em nossas Fraternidades?

3. Como construir uma vida de fraternidade sólida e que ajude aos irmãos a serem felizes de verdade? Cuidamos dos irmãos que sofrem?

Para seu aprofundamento:

Amor de mãe: Regra Bulada 6,8-10

Vínculo da unidade: 2Celano 191-192

Acolhida dos que chegavam: 1Celano 31

Buscando uma sociedade fraterna: CCGG da OFS, art. 18

BOM TRABALHO!                                      

PAZ E BEM!                                     

                                  

Ana Cristina Opitz                  

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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