ENCONTRO 3

Não é suficiente sabermos que, por sermos da OFS, somos irmãos, é preciso sentirmos isso! A Quaresma é um tempo do Ano Litúrgico dedicado à conversão diária por excelência, isto é, nós temos toda a Igreja pensando e a refletindo sobre seus atos, não só nós, os franciscanos… Aí vem a nossa responsabilidade ainda maior que a dos outros: a nossa Regra e Vida sempre nos disse isso e, se a aceitamos de bom coração no dia da nossa Profissão, prometemos seguir seus propósitos de vida secular todo o dia para o resto de nossas vidas. Será que o fazemos com sinceridade? Ou a OFS continua sendo um armário onde se deposita as pessoas que almejam a santidade? Somos sim uma escola de santidade, mas, como em toda escola, temos a nossa parte a ser feita (auto-formação) e a parte da fraternidade (formação e informação) ocorrendo simultaneamente. Esperar a Irmã Morte nas cadeiras das nossas salas de encontros fraternos, em companhia de nossos irmãos e irmãs, é louvável, mas não, santo. Esperar: aí está o problema! O Franciscano Secular não espera, ele age! Temos irmãos(ãs) no SEI, é nosso dever, por amá-los como uma verdadeira família, agirmos, mas é dever de todo(a) irmão(ã) que aí está se deixar ser atendido, amado, visitado e, se assim for possível, dar e ser um exemplo vivo do nosso carisma! Esta é a sua maneira de agir, vivendo a secularidade franciscana e nos ensinando a ser verdadeiros franciscanos seculares! O texto do nosso Assistente Espiritual Nacional, Frei Almir Guimarães, trata justamente desta parte tão sábia das nossas fraternidades, o SEI. Leiamos com bastante atenção, fazendo a nossa reflexão pessoal e uma discussão em fraternidade a respeito de como vivem (ou só sobrevivem) os nossos idosos e os nossos enfermos.

 

Os Irmãos Enfermos

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

   “Se algum dos irmãos cair enfermo, onde quer que estiver, os outros irmãos não o abandonem, a não ser que se cons­titua um dos irmãos ou mais, se neces­sário for, que o sirvam como gostariam de ser servidos” (Regra não bulada 10,1).

 

   1. Os frades eram andarilhos. Francisco e os seus faziam do mundo e da itinerância sua casa, seu domicílio. Na Regra não bulada o Santo pede que seus frades não abandonem o irmão que fica doente. Façam o que gosta­riam que fizessem a eles se estives­sem nessa situação. O texto continua determinando que, se for necessário, que o doente seja confiado a uma pes­soa que possa cuidar de sua enfermi­dade. Somente depois os frades po­deriam continuar sua caminhada. O cuidado do doente era fundamental.

   2. As Constituições Gerais da OFS de­terminam: “Avançando na idade, aprendam os irmãos a aceitar a do­ença e as crescentes dificuldades e a dar à própria vida um sentido mais profundo, no progressivo desprendi­mento e encaminhamento à Terra Prometida” (art. 27).

   3. No tema da enfermidade há dois as­pectos a serem levados em conside­ração: o que se passa no coração e na mente do enfermo e aquilo que os irmãos sadios colocarão como gestos de amor fraterno.

   4. Uma das experiências mais doídas e delicadas da vida é a que faz o doen­te, mormente o gravemente enfermo. Ele experimenta medo, solidão, apre­ensão. Há momentos em que sente um peso, não quer mais dar trabalho. Per­cebe ele que a família está gastando o que pode e não pode com seu trata­mento. Sente-se constrangido de cha­mar alguém que o leve, a toda hora, para satisfazer suas necessidades ou simplesmente que lhe enxugue o suor da fronte. Um doente escreveu: “Eu tinha muitos projetos. Eis me aqui pre­gado a esta cama, bobamente deita­do, sem poder me levantar, com fe­bres e dores em todas as partes. Ridí­culo, incômodo, exasperador… esse micróbio, esses micróbios nas minhas veias que vieram aí se instalar Deus sabe como. Tudo isso me parece ab­surdo… “.

   Na realidade nossos hospi­tais estão preparados para curar os corpos. Raramente, no entanto, atin­gem o coração.

   5. Há doentes que se revoltam. Há do­entes que não colaboram com a fa­mília e com os médicos. Há enfermos dóceis. Há doentes que conseguem viver longas horas em seu quarto, so­zinhos. Há outros que são exigentes e querem sempre alguém por perto. Depoimento de um doente: “Estou no quarto, deitado em minha cama. As dores me impedem de dormir. Escu­to as badaladas do relógio da torre da igreja. Fico aguardando o amanhe­cer quando as enfermeiras vão che­gar, quando os carros vão rolar na rua e sentirei que a vida poderá retomar”.

   6. Há doentes que conseguem aprovei­tar bem esse período de sua vida: lêem, rezam, ouvem música. Muitas pessoas que sabiam fazer belos dis­cursos sobre o sofrimento no mo­mento da enfermidade se dão conta de que Ihes é difícil aguentar as do­res. Há pessoas que se descobrem impacientes, não tendo coragem de sofrer, que sentem imensa falta de pessoas que antes não valorizavam tanto.

   7. Os irmãos na Fraternidade, os famili­ares na família, os vizinhos dos arre­dores poderão e deverão estar ao lado dos doentes. Será fundamental fazer-­se presente discretamente. As visitas serão sempre discretas. Não muitas nem tão poucas. Os que acompanham os doentes precisam sentir se eles têm vontade de falar, de dizer coisas es­senciais, de abrir o coração. Há do­entes que necessitam reconciliar-se com um parente ou um conhecido com o qual não falam. Os parentes e amigos haverão de propiciar um en­contro entre ambos. Será de funda­mental importância saber em que ponto da busca de Deus se encontra o doente e, com muita habilidade, tentar descerrar a cortina da fé. Os doentes haverão de saber que pode­rão unir seus sofrimentos e suas do­res à paixão de Jesus, à morte do Redentor e assim seu sofrimento es­tará unido ao mistério pascal do Mes­tre. Importante que o doente receba bem a comunhão eucarística aos do­mingos. Os ministros da Eucaristia sa­berão ser pessoas que não cansam os doentes. Os irmãos terceiros francis­canos saberão pedir a visita do sacer­dote para a unção dos enfermos. Esta deverá ser recebida num clima de fé e de profunda alegria. Os parentes serão convidados. Melhor receber o sacramento em casa do que numa uni­dade de terapia intensa. Importante que haja flores na sala e mesmo o canto alegre dos salmos.

   8. Os responsáveis pelo serviço dos en­fermos e idosos em nossas Fraternidades ficarão sempre atentos. Que ninguém realize sua tarefa rotineira­mente. Toda a Fraternidade é respon­sável em manifestar seu carinho pe­los irmãos idosos e doentes.

   9. Há irmãos e irmãos que, durante um longo tempo, não podem participar mais ativamente da vida da Frater­nidade porque eles têm em casa um pa­rente gravemente doente. O Conse­lho haverá de ter compreensão com suas ausências e incentivar o irmão a realizar a fundamental obra de cari­dade que é a da assistência aos enfer­mos. “Estive doente e me visitaste…”.

   10. “Os franciscanos seculares se empe­nhem em criar em seu ambiente, so­bretudo nas Fraternidades, um clima de fé e de esperança, de modo que a irmã morte seja vista como passagem para o Pai e todos possam preparar-­se para ela com serenidade” (Const. Gerais, art. 27). E Francisco pede pa­ciência e visão de fé aos irmãos enfer­mos: “E se alguém se perturbar ou se irar, seja contra Deus, seja contra os irmãos, ou exigir remédios com insis­tência, desejando muito libertar a car­ne, que depressa morrerá e que é ini­miga da alma, isto lhe provém do mal, e ele é carnal e não parece ser dos irmãos, porque ama mais o corpo do que a alma” (Regra não bulada 4).

Para a reflexão pessoal e em grupo:

1. Como tu costumas reagir diante da doença em ti e nos outros? Que rea­ções observas em pessoas conhecidas no momento da enfermidade?

2. O que se passa, efetivamente, na men­te e no coração dos doentes? .

3. Nossas fraternidades conseguem dar uma assistência satisfatória aos enfer­mos e idosos?

4. Eu vivo com sinceridade a assistência ao doente e ao idoso da minha fraternidade?

 

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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