ENCONTRO 5

Continuando nossa temática do mês passado, da verdade no compromisso e no agir essencialmente franciscano, temos um texto muito valioso com uma visão bem atual das nossas fraternidades e de alguns de seus componentes. Reflitamos criticamente a situação em que se encontra a nossa família espiritual, sua missão primeira de anúncio do Evangelho e a parte de cada irmão na reestruturação da Igreja de NSJC.

 

Os Irmãos Autênticos

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

   “Acautelemo-nos, irmãos todos, de toda soberba e vanglória, e guardemo-nos da sabedoria deste mundo e da prudência da carne… “ (Regra não bulada 17, 9-10).

 

   1. Esta é mais uma citação da Regra não bulada de São Francisco. O Poverello quer que os irmãos sejam coerentes com sua fé. Não poderão estes seguir o Evangelho e, ao mesmo tempo, dei­xar-se guiar pela prudência da carne e do mundo. Todos esperam que os franciscanos, sinceramente coerentes, não façam um personagem a partir do espírito do mundo. Francisco faz tais observações no capítulo dedicado aos I pregadores.

   2. Assim, o texto continua: “Pois o espí­rito da carne quer e se esforça muito por ter as palavras, mas pouco por fazer as obras, e procura não a reli­gião e a santidade interior do espíri­to, mas quer e deseja ter a religião e santidade que aparecem exterior­mente aos homens” (11-12).

   3. Autenticidade quer dizer verdade. Ora, os seguidores do Evangelho à maneira de Francisco respiram sinceridade. São o que são diante de Deus e nada mais. Vestem-se corretamente sem querer demonstrar que valem pelo tecido que cobre seu corpo. Usam de singeleza nas palavras que dirigem aos irmãos, de preferência, sempre palavras que manifestem a sinceridade de seu inte­rior. Não produzem um personagem. Não agem com artificialismos e sobre­tudo não são duplos, mas simples. Há a verdade na vida da fraternidade, ver­dade na família, verdade na ação pas­toral. Sempre verdade e autenticida­de de irmãos autênticos. Autenticida­de é o contrário da falsidade e da hi­pocrisia.

   4. Um dos grandes perigos que sempre espreitou a Igreja foi, sem dúvida, o do farisaísmo. Algumas páginas dos Evan­gelhos condenam duramente esse tipo de comportamento. Os ditos fariseus diziam e não faziam, gostavam de ser saudados como mestres e gente de bem, ocupavam os primeiros lugares nas si­nagogas, impunham pesos aos outros que não carregavam. Sempre de novo, diziam e não faziam. Estes estão próxi­mos do ditado: Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.

   5. Os franciscanos são chamados a anun­ciar o Evangelho de Jesus Cristo até os confins da Terra. Fazemo-lo antes de tudo através de nossa vida. Fran­cisco assim queria. Os casados são fiéis, alegremente fiéis, marido e mu­lher se dedicam um ao outro. Procu­ramos ser extremamente límpidos nas tomadas de posição e nas decisões. O exemplo toca o fundo do coração das pessoas e pode ser que estas venham mesmo a buscar a conversão. Fran­cisco se tornou exemplo e assim irra­diou. “Por isso, as pessoas de todas as classes, sexos e idades têm nele ensinamentos claros de salutar dou­trina e têm também o exemplo de obras santas. Se alguns propõem lan­çar mão a coisas mais fortes e tentam seguir os melhores carismas de um caminho mais excelente, olhem no espelho de sua vida e aprendam toda a perfeição” (1 Celano 90).

   6. Uma das passagens do Evangelho mais exigente, aplicada a todos, mas de modo especial aos leigos, está no Ser­mão da Montanha: “Vós sois a luz do mundo!” (Mt 5,14). Não existimos para nós mesmos. Nossa vocação é ilumi­nar a vida das pessoas, a história da­queles que vivem em nossas comuni­dades, os colegas de trabalho, os mem­bros de nossa família. Sentimos que nossa vocação é abrir cami­nhos para Deus no coração da humanidade e no seio do mundo. Na medida em que conse­guimos viver o Evangelho, quando escrevemos em nossa carne a mensagem de Jesus estamos pre­gando, estamos anunciando a palavra, estamos iluminando. Isto é ser irmão autêntico.

   7. Incontáveis são os agentes de pastoral e os evangelizadores. Há a fala da homilia, da instrução catequética, dos serviços assistenciais. Sempre de novo todos esses agentes não podem ser sim­ples tocadores de obras e nem meros tarefeiros. Sempre de novo eles have­rão de examinar as motivações mais profundas de seu agir. Farão concor­dar a fala com o agir. Os franciscanos seculares, querendo ser fiéis ao carisma de restauração da Igreja, prestarão atenção especial ao exem­plo de vida, de modo especial quando estiverem se dedicando à evange­lização e à pastoral. Francisco lem­bra que alguns querem a religião e a santidade que aparecem exterior­mente aos homens.

   8. Vale, neste contexto, transcrever algu­mas linhas do Dicionário Franciscano quando analisa o verbete exemplo: “Quando Francisco diz em seu Testa­mento : ‘Quero firmemente que todos os outros irmãos se ocupem com um trabalho honesto, por causa do bom exemplo’ (Test 20-21) sabe que o exemplo não brota espontaneamente, mas deve ser provocado, manifestado fora da pessoa que se empenha com ardor, que se motiva e se dispõe ao bem, que acrescenta provas e faz frutificar os talentos com ope­rosidade. No exer­cício do bom exemplo os frades aperfeiçoam-se a si mesmos no ser­viço do Senhor.

O exemplo fortifica a vontade, toma cons­tante a paciência, mortifica os vícios e aumenta as virtudes, leva à realização da vocação. É duplamente benéfico: aperfeiçoa os próprios frades e ilumina a vida dos outros” (p. 248).

Para o estudo em grupo:

1. O que significa ser um irmão autêntico?

2. O que quer Jesus dizer quando afirma que somos luz do mundo e sal da Terra?

3. O que significa pregar pelo exemplo? Basta uma pregação pelo exemplo?

Para sua reflexão:

Legenda Perusina (Compilação de Assis):

2,38,61,79,85.

2Celano 178.

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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