ENCONTRO 6

            O primeiro passo para colocarmos as nossa Fraternidades de vez neste novo século é a atualização de nosso agir essencial. Como anda o nosso exemplo na sociedade? Como vai o nosso trabalho? “Ora et labora”, quem não lembra disso? Não é só para ficar no papel, precisamos remangar as camisas e pôr as mãos na massa. Ao trabalho!

Os Irmãos Laboriosos

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

   “Todos os irmãos procurem empe­nhar-se nas boas obras, porque está escrito: Faze sempre algo de bom, para que o demônio te encontre ocupado. E tam­bém: A ociosidade é inimiga da alma. Por isso, os servos de Deus devem per­sistir na oração ou em alguma obra boa” (Regra não bulada 7, 10-11)

 

   1. Este é mais um dos preceitos da Re­gra de São Francisco conhecida como não bulada. Francisco, na realidade, queria uma fraternidade. Os irmãos que chegavam se uniam aos que já conviviam e formavam uma comuni­dade de menores, de irmãos meno­res. Esses menores haveriam também de ser aplicados e laboriosos. Fran­cisco queria que o trabalho fizesse parte da vida dos irmãos. Não pen­sava em primeiro lugar no lucro. Os irmãos da primeira ordem viveriam do trabalho de suas mãos sem rece­ber dinheiro. Todo franciscano sabe que o trabalho manual e intelectual, em casa ou fora de casa, é realiza­ção de um desígnio de Deus. Existi­mos para continuar a obra da cria­ção. No grande mundo somos co­-criadores com o Criador.

   2. O texto da Regra de Francisco fala na urgência de que se façam boas obras para que o inimigo encontre o homem ocupado: No tempo da vida que passa vamos nos realizando. Jo­vens, menos jovens, sadios e doentes estamos sempre ocupados para que a mente não venha a nos fazer con­vites pouco nobres que nos distanci­em de nosso propósito de busca de santidade. De manhã cedo erguemo-­nos do leito com decisão. Não nos en­tregamos a um estado de torpor in­dolente. Tão logo despertos elevamos nossa mente ao Senhor. Entregamos­-lhe a jornada. E depois há toda es­pécie de trabalho: a higiene, o diri­gir-se à fábrica, ao comércio, a lou­ça e roupa que precisam ser lava­das, as roupas que precisam de cui­dados, as crianças que vão tomar vacina, as pessoas que precisam ser atendidas, a caridade que necessita ser praticada. Os que fazem tais obras estão sendo acompanhados pelo olhar de Deus, caminham em sua presença.

   3. A Regra insiste na questão da ociosi­dade. Ela é inimiga da alma. São Boaventura escreve a respeito de Francisco: “Recomendava a fuga da ociosidade com o maior cuidado e mostrava, com seu exemplo, que é preciso domar a carne preguiçosa e rebelde com uma dedicação assídua e algum trabalho útil. Chamava tam­bém o seu corpo de “irmão burro” para significar que era preciso ocupá­-lo bem com trabalhos pesados, discipliná-lo e alimentá-lo com pou­ca comida”. Francisco adota a pos­tura da ascese, do controle sobre as forças anárquicas do corpo.

4. A vida dos franciscanos se desdobra em duas grandes ativi­dades: a pregação e a oração. A pregação se faz, antes de tudo, pelo exemplo. Os seculares pregam por meio de suas iniciativas e provi­dências para que o mun­do seja mais de Cristo. Bela a expressão: pre­gar pelo exemplo. Belo o trabalho da pregação pelo testemunho de vida. Há também o trabalho de pre­gação pela formação das pessoas. Os franciscanos seculares se fazem pre­sentes nos grupos de catequese, nos círculos de preparação para os sa­cramentos, nos grupos de reflexão que levam as pessoas a quererem transformar o mundo. Os franciscanos não recusam convites que Ihes são feitos para evangelizar, claro, sem­pre dentro de suas possibilidades e não faltando aos deveres de estado e aos pedidos da fraternidade onde professaram o evangelho. O gosto por uma vida calma pode fazer com que alguns deixem de participar da missão evangelizadora.

   5. A segunda grande atividade do franciscano é o louvor de Deus, a oração. O texto da Regra não bulada que comentamos assim destaca: “De­vem sempre persistir na oração”. Os franciscanos, no intuito de evitar o pecado, consagram muito de seu tempo, explicitamente à oração. De importância capital é a missa domi­nical vivida em plenitude. Cada um tem a obrigação de buscar uma re­novada compreensão do mistério da eucaristia e vivê-lo intensamente, quando possível, mesmo em dias de semana. Consagram diariamente um tempo razoável à oração do ofício (Liturgia das horas) e à meditação e contemplação. Nesse sentido é que entendemos que o tempo do discípu­lo de Francisco é ocupado com boas obras e com a oração.

   6. Concluamos ainda com palavras de São Boaventura: “Quando via um irmão andar ocioso e querer viver às custas dos outros, Fran­cisco dizia: ‘Devia-se chamá­-lo de irmão mosca, pois ele inspirava aversão e despre­zo a todos; a mosca não faz nada de bom e estraga o que foi feito pelos outros. Quero que todos os meus irmãos trabalhem e se esforcem para evitar a ociosidade, para que esta não os arraste para o mal em pensamen­tos ou palavras”.

Questões para estudo em grupo:

1. O que mais chama sua atenção neste tema de estudo?

2. O que significa que os franciscanos e franciscanas sejam laboriosos?

3. Por que a ociosidade é tão perigosa?

4. Em que sentido a oração é um traba­lho?

5. Quais as prioridades evangelizadoras que nossa fraternidade assume ou pode assumir?

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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