ENCONTRO 7

            Nossa Fraternidade é um lugar de convivência fraterna, de troca entre irmãos e de crescimento na vida franciscana, afinal somos seres em relação, aprendemos uns com os outros, dependemos de uns e temos outros na nossa dependência, não sobrevivemos sozinhos. Temos que ter a humildade de aceitar quando o outro nos oferece ajuda, mesmo que ela nos pareça amarga, como vinagre… O rancor, o ódio, o orgulho não nos pertencem, esses sentimentos só habitam aqueles corações que não têm firmeza de fé, que não são verdadeiros, como temos estudado nos últimos meses. Cresçamos uns com os outros, a vida em fraternidade é um desafio que abraçamos quando dissemos “sim, quero” na nossa Profissão.

 

Deixar-se corrigir pelos que nos amam

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

   “Bem-aventurado o servo que, repre­endido, benignamente aquiesce, com modéstia se submete, humildemente se confessa e de boa vontade faz repara­ção” (Admoestação XXII, 2).

 

   1. Os humildes seguidores de Cristo dei­xam-se corrigir pelos que os amam, bem como por aqueles que não os amam tanto. Esta é uma das gran­des características de Francisco. Estamos diante da postura do que é humilde. Os franciscanos desejam vi­ver santamente. Para isso fazem pro­fissão de busca da santidade. Ora, os irmãos de todos os dias e aqueles que Deus nos coloca como nossos orien­tadores nos ajudam a corrigir a rota. Fazem a caridade

de não deixar que” venhamos a nos extraviar, literal­mente, andar fora do caminho. Esta­mos diante do tema delicado da correção frater­na. Felizes aque­les que, ao longo de sua vida, tive­ram verdadeiros anjos que lhes de­ram o presente da atenção carinhosa no sentido de cor­rigirem a rota da vida. Uns e outros têm fortes chances de glória futura.

   2. A correção fraterna é manifestação de bem-querer. O amor entre os ir­mãos se concretiza de muitos modos: presença física, oração, ajuda nos momentos de necessidade, respeito por sua opinião, paciência com o ou­tro e sua promoção. Quando numa comunidade desaparece o interesse de uns pelos outros, quando se ins­taura o indiferentismo, o salve-se­-quem-puder, a vida se torna difícil e as pessoas não atingem sua meta de santidade.

   3. Os pais, os professores, cada um em seu âmbito, alertarão filhos e alunos no sentido de que não deixem de ser profundamente honestos, tenham ca­ráter, respeitem o que é dos outros, cultivem a coerência e sejam atentos à voz da consciência. Assim agindo, os “su­periores” realizam sua missão de edu­cadores: alertam e, quando necessário, repreendem. Se não corrigirem estarão impedindo que filhos e alunos sejam pes­soas de valor. O mesmo se fale entre nós: o ministro aju­da o irmão a se cor­rigir e os irmãos se entre ajudam para que nenhum venha a se perder. Temas para a correção fraterna: negligência séria na vida de oração, falta de afeto para com a fraternidade, posturas de negligência, falta de generosidade, disseminação da discórdia. Isto e muito mais será obje­to de exortação e correção.

   4. Os responsáveis pelo vigor da vida cristã numa comunidade paroquial, no seio de uma fraternidade de vida con­sagrada ou em grupamentos de bus­ca da perfeição evangélica no meio do mundo servir-se-ão de diferentes meios: a palavra de exortação na reu­nião ou no encontro do grupo, pro­posição de um pôr em comum ou cor­reção fraterna num momento de re­visão de vida ou num encontro de ora­ção da fraternidade.

   5. Os responsáveis por levar adiante a vitalidade de um grupo não poderão se omitir. Haverão de fazê-lo com fir­meza, mas com delicadeza. Nunca o pecado do irmão pode ser anuncia­do aos quatro ventos. Este merece res­peito à boa fama. A intenção do “su­perior” será a da salvação da alma do irmão. Seria lamentável se um ir­mão viesse a se perder por falta de energia do ministro. Normalmente correções de rota mais delicadas se­rão feitas em sigilo, sem que outras pessoas fiquem sabendo.

   6. Há a correção de irmão para irmão, de dois em dois, ou num pequeno gru­po, que só poderá ser feita quando se tiver certeza da falta. Em todos esses casos será fundamental a pos­tura de humildade do irmão em rece­ber a correção e de quem a faz. O texto de Francisco fala: Bem-aventu­rado o servo que suporta correção, acusação e repreensão com paciên­cia. A postura de humildade, mesmo quando o irmão é injustiçado com a correção, é típica do franciscano.

   O irmão acusado tem todo o direito de defesa. Jesus mesmo interpelou seus algozes: “Por que me bates?” O irmão que tende à santidade, no en­tanto, mesmo tendo o direito de exi­gir a verdade, lá no fundo do cora­ção, aceita este momento de humilha­ção, unindo-se a Cristo Jesus. Fran­cisco continua sua exortação: “Bem­ aventurado o servo que não é rápido para se escusar e humildemente su­porta a vergonha e repreensão por causa do pecado, embora não tenha cometido culpa”.

   7. Coloquemos em destaque os pontos que Francisco enfatiza: bem-aventu­rado o irmão que acolhe a repreen­são com benignidade; aquele que com modéstia se submete e que humilde­mente reconhece seu pecado mesmo corando de vergonha; aquele que muda de vida e faz reparação.

   8. Na realidade, a correção fraterna é uma das grandes graças de nossa vida. Felizes aqueles que souberam, ao lon­go do tempo da vida, reorientar seu comportamento e assim se tenham aproximado de Cristo Jesus, em sua humildade e submissão.

Para o estudo em grupo

1. O que significa bem precisamente a expressão correção fraterna?

2. Quem precisa corrigir quem?

3. Quais as posturas, neste momento, do que corrige?

4. Como deve reagir o que é corrigido?

5. Em que sentido se pode dizer que a correção fraterna é uma graça?

6. Como reparar a falta feita e anuncia­da pelo irmão que nos corrige?

7. Como reagir diante de uma correção injusta?

Para sua reflexão

1 Celano 28

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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