ENCONTRO 8

            Falamos de correção fraterna, de aceitação, de orgulho e humildade, de bem-querer entre irmãos, de vida em grupo, enfim de minoridade, uma das principais bandeiras franciscanas que também cabe a nós, além da secularidade e da apostolicidade que nos são características. Viver em grupo, conviver em Fraternidade é um desafio grande, que requer flexibilidade, diálogo, gosto pela verdade e, principalmente, humildade. Será que lembramos que essa humildade nos “rotula”? Pelo nosso exemplo somos reconhecidos como seguidores de Francisco e Clara e arrastamos multidões rumo à reconstrução da Igreja de NSJC. Assumimos toda esta responsabilidade?

 

Os Irmãos Menores

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

Um dos textos mais importantes es­critos por Francisco de Assis certamen­te foi a Regra dos frades menores co­nhecida como ‘não bulada’, ou seja, que não recebeu a aprovação da Sé Apos­tólica. Os diferentes capítulos desta Re­gra exalam o frescor do Evangelho e nos colocam diante do espírito mais primiti­vo e mais fascinante da aventura franciscana.

   1. Inegavelmen­te um dos pontos bási­cos da espi­ritualidade de Francis­co, como de Clara, é a questão do minorismo. O tema está lapidarmen­te sintetiza­do no capí­tulo 6 da Regra não bulada: “E ninguém se denomine prior, mas todos, sem ex­ceção, sejam chamados de irmãos menores. E um lave os pés do ou­tro” (cf. Jo 13,14).

   2. Jesus, nos evangelhos, não queria su­perioridade entre os irmãos. O título dos que animam as fraternidades franciscanas é o de ministro, ou seja, daquele que serve. Isto é evangelho em estado puro. Os irmãos seriam menores. Francisco apoia-se ainda no evangelista João: os irmãos lavam os pés uns dos outros.

   3. Tomás de Celano tenta elencar as características do irmão menor: é aquele que é submisso a todos, esco­lhe serviços que não chamam a aten­ção e não são cobiçados pelos outros (cf. 1Celano 38,4).

   4. O minorismo se manifesta no propó­sito sincero de não se desejar cargos e postos de honra na vida e na Ordem. Os irmãos mostrar-se-ão disponíveis para os serviços que o Evangelho pedir e a Or­dem solicitar e sempre com o espírito do lava-pés. Tal aparece cla­ramente nu­ma das Admoestações de Francisco: “Aqueles que foram constituídos aci­ma dos outros se gloriem tanto deste ofício de prelado como se tivessem sido destinados para o ofício de lavar os pés dos irmãos. E se mais se per­turbam por causa do ofício de prela­do que lhes foi tirado do que por cau­sa do ofício de lavar os pés, tanto mais ajuntam para si bolsas com pe­rigo para a alma” (n. 4).

   5. Essa disposição de lavação dos pés dos irmãos aparece no artigo da Re­gra da OFS que fala da animação por parte dos ministros: “Seu serviço, que é temporário, é um cargo de dispo­nibilidade e de responsabilidade em favor de cada indivíduo e dos grupos” (n.21). O Ministro e o Conselho exer­cem o serviço do lava-pés: buscam os afastados, perdoam os que erram, cuidam com carinho dos que lhes são simpáticos ou menos simpáticos.

   6. O minorismo e o espírito de serviço se manifestam de muitas maneiras na vida dos irmãos seculares:

= na convivência com as pessoas aquele que vive o minorismo dá lu­gar ao outro, escuta o que ele tem a dizer, envida todos os esforços para que ele participe consciente e intensamente da aventura da vida;

= o irmão menor é aquele que não falta a uma reunião da Frater­nidade, toma iniciativas de ajudar nos serviços em vista do brilho da caridade fraterna e para que todos se sintam bem;

= a pessoa que vive a espiritualidade do minorismo, em seus trabalhos pastorais mostra competência e se coloca à disposição dos outros, sem aparato, sem espírito de superiori­dade;

= os verdadeiros menores não ficam melindrados quando não são lem­brados e mesmo quando são colo­cados de lado; o episódio da per­feita alegria é emblemático: o fra­de desprezado não reivindica seus direitos porque seu lugar é o últi­mo lugar;

= os irmãos menores não elevam a voz, agem com serenidade e falam sempre sem chamar atenção para si;

= os que vivem o minorismo servem: marido e mulher prestam serviços mútuos, os filhos servem aos pais e os pais se colocam à disposição dos filhos; os irmãos sadios da Fraternidade assumem os irmãos doentes, velam por eles, adivinham suas necessidades;

= os que são investidos de autorida­de sobre os irmãos não exercem poder e dominação.

   7. O tema do minorismo está vinculado ao da humildade. Os irmãos meno­res são humildes. Difícil descrever o que vem a ser a humildade. Quando alguém é humilde inspira simpatia, difunde bondade, cria laços entre as pessoas. Os franciscanos se sentem bem com os mais simples da terra. As admoestações de Francisco preci­sam bem o sentido da humildade que nada mais é do que verdade: “Bem-aventurado o servo que não se consi­dera melhor quando é engrandecido e exaltado pelos homens do que quando é considerado insignificante, simples e desprezado, porque quan­to é o homem diante de Deus, tanto é e não mais. Ai daquele religioso que é colocado no alto pelos outros e não quer descer por sua própria vonta­de. É bem-aventurado o servo que não é colocado no alto por sua pró­pria vontade e que sempre deseja estar sob os pés dos outros” (Admo­estação, 19).

Questões para o estudo em grupo:

1. O que mais chama sua atenção nes­te tema de estudo?

2. Jesus foi servo e servidor. Como Je­sus concretizou seu serviço pela hu­manidade?

3. O que significa hoje lavar os pés dos outros?

 

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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