ENCONTRO 9

            Com muita humildade, podemos conviver mais e melhor com nossos irmãos, podemos crescer com eles, podemos amá-los e respeitá-los como uma verdadeira família de fé. Servir é uma honra que pertence a nós, humanos; ser servido é divino, pertence àqueles que são a Sua imagem e semelhança, aos nossos irmãos, portanto. Sejamos afáveis mesmo com aqueles que nos são desagradáveis, eles certamente perpassam o nosso caminho para o nosso crescimento, para a nossa evolução espiritual. Sentir-se triste, magoado é humano, perdoar é divino!

 

Que os Irmãos sejam afáveis

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

   “E onde estão e onde quer que se en­contrarem os irmãos, mostrem-se mu­tuamente familiares entre si” (Regra bulada 6, 8 )

 

   1. Os discípulos de Cristo são irmãos. Cristo veio viver e pregar uma fraternidade revolucionária. Anuncia a derrubada de todas as barreiras da indiferença, da superioridade, da acepção de pessoas, barreiras levan­tadas pela vontade de vingança, re­taliação, ódio. Francisco, o irmão de Assis, compreendeu que os seus de­veriam ser irmãos, irmãos simples e pequenos, irmãos menores, irmãos de toda criatura humana. A frater­nidade é um mistério. Cristo vem até nós para nos ensinar a amar. Cristo ama em nós.

   2. Os terceiros seculares conhecem também o mistério da fraternidade. Vivem no seio da sociedade. Encon­tram-se com comerciantes, concor­rentes, pessoas delicadas e seres complicados. Vivem em suas casas com parentes simpáticos e outros que criam dificuldades. Sempre de novo se exercitam na arte de escutar, com­preender, desculpar, perdoar. Procu­ram não elevar o tom da voz, não chamar atenção para si, nem reivin­dicar seus direitos, embora pudessem fazê-lo. Lembram-se sempre do Menino das Palhas que se tornou nos­so irmãozinho no presépio, pão que nutre a fraternidade na Eucaristia e dom ilimitado, fraternamente univer­sal, quando elevado da terra ao céu. A bandeira do cristão e do franciscano que professa viver a Regra do Evan­gelho é esse querer bem, viver a fa­miliaridade dos irmãos.

   3. Francisco manifestava especial cari­nho e zelosa fraternidade para com os que viviam o sofrimento. É São Boaventura quem o garante: “Com grande ternura se compadecia de todos os que se encontravam aflitos por causa de alguma enfermidade corporal. E quando encontrava em alguém indigência ou necessidade, na suave piedade do coração, a consi­derava como sofrimento do próprio Cristo” (Boaventura, Legenda Maior 8,5). Pensamos aqui, de modo par­ticular,em nossos irmãos e irmãos en­fermos e envelhecidos. Esses olhos parados, essa tristeza no fundo do co­ração, esse desejo de terem perto deles uma mão para apertar antes de terminarem os dias de sua traje­tória!!! Que os irmãos sejam familia­res entre si!

   4. Na Regra não-bulada onde trans­parece o mais genuíno espírito de Francisco, lemos com emoção: “Ami­gos nossos, portanto, são todos aque­les que injustamente nos causam tri­bulações e angústias, vergonha e in­júrias, dores e tormentos, martírio e morte; a estes devemos amar muito, porque a partir disto que nos causam, temos a vida eterna” (22,3-4). Os que nos causam dores e aqueles que nos perseguem nos dão ocasião de amá­-los, exigem, nosso amor, e assim po­demos tranqüilamente, empurrar as portas da glória porque amamos aqueles nos fizeram mal!

   5. Os franciscanos, sejam eles quais fo­rem, vivem em fraternidades. Os da primeira ordem não se desligam dos irmãos porque vivem juntos, comem juntos, rezam juntos. Os seculares se reúnem freqüentes vezes e têm gos­to de se chamarem irmãos.

Cultivam eles o amor fraterno no dia a dia de suas vidas. Não existe entre eles indiferen­ça. Pensam uns nas ne­cessidades dos outros, uma visita, uma palavra de estímulo por uma vitória obtida ou por um sonho realizado. Sentem a falta do irmão na reunião ou na cele­bração. Informam-se. Telefonam. Buscam. São sinceros em suas mani­festações de atenção e de carinho. Onde quer que se encontrem mani­festam ternura porque se sentem fa­miliares uns dos outros. Sem apelos emocionais alegram-se mutuamente. Uns contam com os outros.

   6. Os franciscanos são corteses e afá­veis. Em suas fraternidades e quan­do vão pelo mundo evitam brigas e discussões. Não julgam os outros, mas são pacíficos, modestos, afáveis, falando a todos honestamente como convém (cf. Regra bulada 3, 11).

   7. Em razão da condição de cristãos lei­gos seculares os irmãos vivem disper­sos pela cidade e por determinada região. Por isso, os momentos de reunião são de fundamental importância. Os que chegam trazem seu co­ração desejoso de manifestar e aco­lher cortesia. Os irmãos reunidos se abastecem para viver a fraternidade no meio do mundo. Quando os ir­mãos se reúnem em nome de Cristo a fraternidade vive um tempo forte. Nesse momento, de modo muito par­ticular, se mos­tram familia­res entre si. Tal se dá quando há acolhida sincera de uns pelos outros, quando se evi­tam grupos de “preferidos” na fraterni­dade, quando todos procu­ram fazer que todos participem de tudo e contem aos olhos dos outros, quando se cria na fraternidade um clima de mútua e delicada confiança.

Para o estudo em grupo:

1. O que significa a expressão: “que os irmãos sejam familiares”?

2. Quais os pontos positivos de nossa vida fraterna fora e dentro da Fraternidade?

3. O que dificulta a vida fraterna entre nós?

4. Podemos dizer que nossa Fraterni­dade se interessa pelos outros, sobre­ tudo pelos mais carentes e doentes?

Para sua reflexão:

Legenda Maior 1,6

Regra não bulada XXII

Três Companheiros, 58

BOM TRABALHO!                                    

PAZ E BEM!                                    

                                  

Ana Cristina Opitz                

Coordenadora de Formação Regional Sul 3

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